Chile vira nova estrela na produção de azeite

SANTIAGO (Reuters) - Em fazendas de clima temperado do Chile, onde vinhos e frutas alcançam qualidade de exportação, começa a amadurecer um sofisticado azeite de oliva, à espera de ganhar dólares e honras no mercado internacional.

O caminho da fama foi aberto para este (ainda) pequeno produtor graças à vitória em um importante concurso, há algumas semanas, diante de concorrentes do porte de Espanha e Itália.

Elvio Olave e o azeite que leva seu nome receberam o prêmio no concurso Leone D´Oro, na Itália. Enquanto ele caminha orgulhoso pelas fileiras de oliveiras da sua propriedade, separada de Santiago por alguns morros, Olave afirma com segurança que a produção local alcançará a estrela que ele busca.

"Os prêmios dão aval. Eu sei o que tenho, mas preciso de um aval importante, como esses prêmios. Permita-me dizer, com peito estufado, que o azeite chileno é infinitamente superior aos demais", diz Olave.

Se na década de 1990 os chilenos se deslumbraram com as medalhas para sua indústria vinícola, agora chegou a vez dos produtores de azeite, apesar de suas exportações ainda serem modestas. Em 2003, o Chile exportou 681 milhões de dólares em vinhos e pouco mais de 900 mil dólares em azeite.

Mas as expectativas são altas. Em cinco anos, os produtores de azeite pretendem exportar o equivalente a até 160 milhões de dólares, principalmente para Estados Unidos, Japão e Europa, berço desse produto.

Para isso eles precisam multiplicar a produção, o que é possível, pois em cinco anos os olivais devem chegar à maturidade. Além disso, os plantadores estão ampliando a área cultivada em vários milhares de hectares.

Outro orgulho da produção local é a Terramater, que venceu um concurso em Verona (Itália) em 2002 e outro em Los Angeles no ano passado. O interesse dos chilenos são os mercados "gourmet", de consumo caro e refinado.

Os 3.000 hectares de olivais plantados no Chile, que devem chegar a 10 mil em cinco anos, não pretendem, portanto, substituir a popularidade dos azeites espanhóis e italianos, que possuem, respectivamente, 2,5 e 1,5 milhões de hectares plantados em seus países.

"É que eles produzem em quantidades industriais, e nós competimos pela qualidade", disse Olave. Os preços do azeite chileno deixam isso claro. Enquanto o azeite a granel, mercado dominado por Espanha e Itália, vale 4 dólares por litro no mercado internacional, o Chile espera obter pelo menos o dobro desse valor. Dessa forma, uma garrafa de meio litro chegaria ao consumidor por entre 15 e 20 dólares.

A história do azeite chileno ainda é curta. Exceto por uma isolada produção artesanal, ela surgiu em meados da década de 1990, graças a alguns poucos aventureiros, que se aproveitaram da onda em torno da "dieta mediterrânea", considerada mais saudável.

"O Chile conjuga três fatores importantíssimos que fazem dele ideal para ter um produto único entre os melhores azeites de oliva do mundo: ambiental, produtivo e humano", disse o especialista italiano Paolo Monari, que assessora empresas chilenas.

O país dispõe de solo e clima semelhantes ao do litoral do Mediterrâneo, tecnologia de última geração, boas cepas e agricultores capazes, segundo ele.

Com a ajuda de especialistas como Monari, os chilenos trouxeram da Europa variedades de azeitonas como frantoio, arbequina, biancolilla e leccino, todas da Itália, assim como a espanhola coratina. Todas se sentem em casa nos olivais chilenos. "Onde dá bom vinho dá bom azeite, essa é a regra básica", ensina Antonio Ganiz, gerente de exportações da Terramater.

Hoje, o principal problema dos produtores é interno. Apesar de ser uma estrela em ascensão no mercado, o Chile não tem normas que certifiquem sua origem, como acontece com os vinhos. "Nenhuma autoridade controla se a origem do meu azeite é a que eu digo que é", disse Olave.

Qualquer estrangeiro poderia etiquetar seus produtos como sendo azeite chileno e, aproveitando-se dos prêmios e campanhas publicitárias, vendê-lo a menor preço, destruindo dessa forma a indústria local, advertem produtores.

Ignacio Badal – Agência Reuters

 


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