Objetivo do Programa

Uma das frentes de atuação da Associação OLIVA é o combate à fraude e à falsificação dos azeites comercializados no Brasil.

Para tanto a Associação desenvolve um programa, seguindo as orientações, diretrizes e metodologia do Conselho Oleícola Internacional – COI, com o objetivo de identificar as marcas irregulares existentes à venda, complementado por um trabalho que visa conscientizar os agentes de mercado – fabricantes, envasadores, importadores, distribuidores e varejistas - que atuam com essas marcas; orientar os consumidores sobre a qualidade dos azeites que consomem e, por fim, se necessário, denunciar às autoridades competentes os agentes infratores da lei.

O programa visa, primordialmente, permitir aos agentes de mercado uma concorrência justa e assegurar ao consumidor e apreciador de azeite um produto autêntico, sem misturas ou aditivos que descaracterizem o produto.

Metodologia

Periodicamente são coletadas amostras das diversas marcas de azeite existentes no mercado brasileiro. Essas amostras são compradas no varejo, sempre em conjunto por no mínimo dois diretores da Associação, numa quantidade de cinco amostras de cada marca.

As amostras são em seguida lacradas, identificadas e relacionadas em um relatório de coleta assinado pelos diretores que as coletaram.

Em seguida duas amostras são enviadas para laboratórios nacionais credenciados para análise, uma amostra é enviada ao Conselho Oleícola Internacional - COI para análise em laboratórios internacionais credenciados e as duas amostras restantes ficam como contra-prova em poder da Associação.

Análises de Azeites de Oliva Qualidade e Identidade

As análises físico quimicos efetuados nos azetes de oliva visam a identificar duas situações: a sua qualidade e a sua identidade, isto é, a qualidade é o estado fisico químico do azeite de oliva, pois altera-se com o tempo a sua qualidade( com o tempo é alterado o seu estado físico químico por reações com a luz, oxigênio, etc) aumenta a sua acidez, aumenta os peróxidos presente, etc e a sua identidade visa a checar se o produto trata-se de azeite de oliva propriamente e não um azeite de oliva adulterado: misturado com outro tipo de óleo que não seja azeite de oliva ou não estar dentro dos parâmetros da qual é denominado, Azeite de Oliva Extra Virgem Azeite de Oliva Virgem ou Azeite de Oliva (nome específico do produto).

Infelizmente o Azeite de Oliva é um produto facilmente miscível com outros óleos, e é tentador para algumas empresas esta adulteração, pois o azeite de oliva é um produto muito valorizado por suas características: tem ótimo sabor a qual enriquece outros pratos onde é adicionado, faz bem á saúde, por ser rico em ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados, polifenóis e Vitamina E, por estas qualidades e também a limitação do aumento de produção, a cultura das oliveiras e sua colheita exigem mais mão de obra que grãos por exemplo. Por isso o Azeite de Oliva tem um preço maior que outros óleos vegetais e é de difícil detecção a mistura com outros óleos, exige pessoal treinado e equipamentos específicos, embora poucos no Brasil, existem laboratórios capacitados para analisar e detectar as fraudes dos azeites de oliva.

A Associação Oliva utiliza dois laboratórios especializados em análise de azeite de oliva, o laboratório do Ital/CQA/Campinas e o da Faculdade de Eng.Alimentos Unicamp/Depto. Óleos e Gorduras. As análises efetuadas tem como referência o Codex Alimentarius da qual o Brasil segue com base nas seguintes legislações que regulamentam o Azeite de Oliva:

Legislação e Referências:

A legislação brasileira para Óleos Vegetais e Azeite de Oliva é a RDC 270 Anvisa de 22/09/2005 "REGULAMENTO TÉCNICO PARA ÓLEOS VEGETAIS, GORDURAS VEGETAIS E CREME VEGETAL", na qual o item 5.3. deste regulamento diz:

5.3. A identidade de óleos vegetais, incluindo azeites de oliva, e de gorduras vegetais deve atender aos requisitos de composição estabelecidos em normas do Codex Alimentarius - FAO/OMS.

O Codex Alimentarius correspondente, que é a normatização internacional de Azeite de Oliva, é identifidada como CODEX ALIMENTARIUS (FAO/WHO). Codex Standard for Olive Oils, and Olive Pomace Oils, CODEX STAN 33 -1981. Codex Alimentarius, Roma, Itália, rev. 2. 2003.

Link do Codex para azeite de oliva e seus padrões: http://www.codexalimentarius.net/download/standards/88/CXS_033e.pdf

O Ministério de Agricultura em 2010 colocou em Consulta Pública uma normatização de Azeite de Oliva a qual ainda não foi finalizada e aprovada, é a Portaria nº419 de 26/08/2010 , mas a referência deste padrão é também o Codex Alimentarius.

As análises efetuadas no azeite de oliva tem os seguintes parâmetros a qual podem ser efetuados nos laboratórios no Brasil, vide tabela abaixo:

Análise Indicação Avaliação
Composição de ácidos graxos Perfil dos ácidos graxos, comparado as faixas descritas no Padrão (característica de cada tipo de óleo)
  • Avaliar adulteração de azeite
    com óleos refinados de sementes ou amêndoas.
  • Avaliar intensidade de refino
    pela presença de ácidos graxos trans na composição de ácidos graxos
  • adição de óleo de oliva extraído por solvente e refinado devido as alterações promovidas na composição de esteróis.
Composição de esteróis Perfil dos esteróis que é comparadada ao Padrão , % de cada tipo de esterol na composição total
Valor de extinção no ultravioleta a 232nm e 270nm e Delta K a 270nm. Se for necessário passagem da amostra na coluna de Alumina K270 para indicação de grupos cetônicos, indicação de oxidação e também características de cada tipo de azeite Os valores de K270, passagem em
coluna de alumina K232 e Delta são para verificar classificação dos azeites nas diversas categorias(extra virgem, virgem , refinado, etc.) Acidez, peróxidos e teor de ácidos graxos livres - grau de oxidação dos azeites e intensidade de refino.
Acidez e teor de ácidos graxos livres grau de oxidação e ou refino
Índice de peróxidos grau de oxidação
Índice de Iodo Grau de insaturação - Característica de cada tipo de óleo - Padrão de Identidade do Óleo Calculado a partir da composição dos ácidos graxos - Este índice está em desuso, pois é derivado do cálculo da composição dos ácidos graxos e não mais por titulação.
Índice de refração Indice de refração do óleo- Característica de cada tipo de óleo - Padrão de Identidade do Óleo Características do azeite de oliva
Estigmastadieno Indica se o azeite de oliva virgem tem presença de azeite de oliva refinado O Azeite de Oliva Extra Virgem ou Virgem não pode ser adicionado de azeite de oliva refinado
Diferença do ECN 42 Análise da diferença do valor teórico com o analítico de trioleínas Detecta presença de óleos de sementes oleaginosas

 

Referência: CODEX ALIMENTARIUS (FAO/WHO). Codex Standard for Olive Oils, and Olive Pomace Oils, CODEX STAN 33 -1981. Codex Alimentarius, Roma, Itália, rev. 2. 2003.

AZEITES DE OLIVA IRREGULARES

Nome do Produto/Marca Empresa responsável
Envasador/
Importador
Lote/Validade Resultado da Análise Embalagem
(Clique para ampliar)
Azeite de Oliva Extra Virgem TORRE DE QUINTELA 500ml Olivenza Distribuidora e Importadora de Generos Alimentícios Ltda. VAL 08/2012 O produto não pode ser designado como Azeite de Oliva Extra Virgem.
Olive Pomace Oil & Azeite de Oliva Extra Virgem FIGUEIRA DA FOZ 200ml Paladar Comércio e Representação de Produtos Alimentícios Ltda. Lote 035
VAL Julho 2013
O produto não pode ser designado como Azeite de Oliva e nem como Òleo de Bagaço de Oliva.
Azeite de Oliva Extra Virgem Caseiro PRIMA GOTA 500ml Barrinhas Comércio e Importação de Bebidas e Cereais Ltda. VAL 23/06/2011 O produto não pode ser designado como Azeite de Oliva Extra Virgem.
AZEITE DE OLIVA FALANI 500ml Ricex Importação e Exportação Ltda. Lote L 04
VAL 12/2011
O produto não está de acordo com os parâmetros de Azeite de Oliva.
Azeite de Oliva Extra Virgem Especial TRADIÇÃO 500ml Brasfoods Comércio e Distribuição de Produtos Alimentícios Ltda. VAL 12/2012
Lote 12/09
O produto não pode ser designado como Azeite de Oliva Extra Virgem.
Azeite de Oliva Português Di Oliveira 500ml Comercial Importação e Exportação La Rioja Ltda. Lote: 0060
Fab: 13/08/2010
O produto não pode ser designado como Azeite de Oliva

Observações: As análises foram efetuadas pela Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas e pelo Laboratorio do Centro de Ciência e Qualidade de Alimentos do Instituto de Tecnologia de Alimentos/Ital Campinas com base na Resolução RDC nº 270, de 22 de setembro de 2005 Anvisa e Codex Alimentarius Stan 33 -1981 NORMA PARA LOS ACEITES DE OLIVA Y ACEITES DE ORUJO DE OLIVA.